Dr. Guilherme Lima — Cirurgião bucomaxilofacial, CRO-RJ 38327. Especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial pela EPM-UNIFESP; aprofundamento na Orofacial Pain Clinic, University of Kentucky (EUA).
O que é bruxismo?
Bruxismo é uma atividade muscular repetitiva do sistema mastigatório, caracterizada por apertar ou ranger os dentes e por enrijecer ou projetar a mandíbula, podendo ocorrer durante o sono ou durante a vigília, conforme a definição de consenso internacional mais recente (Verhoeff et al., Journal of Oral Rehabilitation, 2025).
A distinção mais relevante na prática clínica é entre bruxismo do sono — que costuma envolver ranger dos dentes com ruído, muitas vezes percebido pelo parceiro de quarto — e bruxismo em vigília, que se manifesta como apertamento silencioso ao longo do dia, associado a momentos de concentração ou tensão. Segundo o consenso internacional de 2018, em indivíduos saudáveis o bruxismo não deve ser encarado como uma doença isolada, mas como um comportamento que pode funcionar como fator de risco para certas condições clínicas (Lobbezoo et al., Journal of Oral Rehabilitation, 2018).
Quais são as causas do bruxismo?
O bruxismo é uma condição altamente prevalente: uma meta-análise global estimou a prevalência combinada de bruxismo do sono e em vigília em 22,2% da população adulta, com prevalência de bruxismo do sono de 21% e de bruxismo em vigília de 23% (Zieliński et al., Journal of Clinical Medicine, 2024). Sua origem é multifatorial — entre os fatores associados estão estresse e ansiedade, distúrbios do sono (o bruxismo do sono está ligado a microdespertares e à ativação do sistema nervoso autônomo durante o sono), consumo de cafeína, álcool e tabaco, e uso de determinados medicamentos, como antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina.
Fatores de oclusão dentária isolados, como um dente mal posicionado, não são mais considerados causa central do bruxismo pela literatura atual, embora possam agravar o desconforto muscular em quem já apresenta o comportamento. Por isso, a avaliação em Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, investiga o quadro como um todo, e não apenas a oclusão isolada.
Qual a relação entre bruxismo e dor na ATM?
O bruxismo é um dos fatores mais associados à disfunção temporomandibular (DTM): a sobrecarga repetida dos músculos da mastigação e da articulação temporomandibular pode gerar dor, limitação de abertura da boca e estalos articulares. Entre os sinais que costumam levar o paciente a procurar avaliação estão dor ao acordar na região da mandíbula e das têmporas, desgaste ou fratura dentária visível, dor de cabeça tensional recorrente e travamento ou estalo ao mastigar.
Nem todo paciente com bruxismo desenvolve DTM, e nem toda DTM tem o bruxismo como causa — por isso o diagnóstico diferencial feito na consulta em Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, é importante antes de definir o tratamento.
Como o bruxismo é diagnosticado?
O diagnóstico do bruxismo do sono é feito principalmente por história clínica, relato do paciente ou do parceiro de quarto, e exame físico dos músculos da mastigação e dos dentes, em busca de sinais de desgaste. Quando há dúvida diagnóstica ou necessidade de confirmação mais precisa, exames complementares como polissonografia com eletromiografia podem ser solicitados, embora não sejam necessários na maioria dos casos avaliados em consultório.
Já o bruxismo em vigília costuma ser identificado por autorrelato — a pessoa percebe que aperta os dentes durante o dia — associado à presença de sinais musculares no exame clínico.
Quais são os tratamentos para bruxismo?
A placa oclusal (placa de bruxismo) é o tratamento de primeira linha mais utilizado, funcionando como proteção contra o desgaste dentário e redução da sobrecarga muscular. Uma revisão sistemática de 15 estudos encontrou que placas ajustáveis, como as de biofeedback de oclusão total, foram mais eficazes do que modelos convencionais na redução dos episódios de bruxismo do sono e na melhora dos sintomas relatados pelos pacientes (Ainoosah et al., BMC Oral Health, 2024). Outra revisão sistemática, que avaliou terapia com placa oclusal, terapia cognitivo-comportamental, biofeedback e tratamento farmacológico, concluiu que a terapia com placa tende a reduzir o número de episódios de bruxismo do sono, embora sem diferença estatística significativa entre os diferentes tipos de placa (Minakuchi et al., Japanese Dental Science Review, 2022).
Para casos de bruxismo grave, com dor muscular persistente que não responde à placa oclusal, a toxina botulínica tipo A aplicada nos músculos masseter e temporal é uma alternativa com respaldo crescente na literatura. Uma revisão sistemática de estudos controlados encontrou redução significativa da dor e da atividade muscular em pacientes tratados com toxina botulínica (Yacoub et al., Dental and Medical Problems, 2025). Um ensaio clínico que comparou placa oclusal, toxina botulínica e a combinação das duas abordagens encontrou redução de dor mais expressiva nos grupos que receberam toxina botulínica — escore médio de dor de 5 (escala de 0 a 10) no grupo tratado apenas com placa, contra 1,9 no grupo tratado com toxina botulínica isolada, 6 meses após o tratamento (Yurttutan et al., Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, 2019).
O tratamento não deve ser encarado como uma solução única e igual para todos os pacientes — o resultado depende da causa predominante em cada caso, e frequentemente combina placa oclusal, controle de fatores como estresse e qualidade do sono, fisioterapia e, quando indicado, toxina botulínica, sempre com acompanhamento clínico.
Na experiência clínica do Dr. Guilherme Lima, a maior parte dos pacientes com bruxismo consegue bom controle dos sintomas com placa oclusal bem ajustada associada ao manejo dos fatores associados, ficando a toxina botulínica reservada aos casos de dor muscular mais intensa ou persistente.
Agendar avaliação para bruxismo e dor de ATMQuando procurar um especialista em bruxismo no Rio de Janeiro?
Vale agendar avaliação se houver desgaste dentário perceptível, dor na mandíbula ou nas têmporas ao acordar, dor de cabeça frequente sem outra causa identificada, ou se alguém já tiver relatado ouvir você ranger os dentes durante o sono. Quanto antes o quadro é avaliado, menor a chance de desgaste dentário irreversível e de evolução para uma disfunção temporomandibular mais complexa.
A avaliação no consultório em Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, inclui exame clínico da ATM e dos músculos da mastigação, investigação de fatores associados como sono e estresse, e definição do tratamento mais adequado ao caso — pelo WhatsApp (21) 92001-9005. Diversos convênios têm cobertura para avaliação e tratamento, entre eles Bradesco Saúde, SulAmérica, Amil, Care Plus, Porto Seguro, Medsênior, Assim, Klini, Unafisco, Bacen e Hapvida.
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