Dr. Guilherme Lima — Cirurgião bucomaxilofacial, CRO-RJ 38327. Especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial pela EPM-UNIFESP; aprofundamento na Orofacial Pain Clinic, University of Kentucky (EUA).
O que é a artroscopia de ATM e quando ela é indicada?
A artroscopia da articulação temporomandibular (ATM) é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que usa uma câmera milimétrica inserida por pequenas incisões para diagnosticar e tratar alterações internas da articulação — como deslocamento do disco, aderências e osteoartrose — quando o tratamento conservador não resolveu os sintomas.
A indicação segue uma abordagem escalonada, começando sempre pelo tratamento conservador: placa oclusal, fisioterapia, laserterapia e, em casos de dor persistente ou travamento (closed lock), arthrocentese sob anestesia local — etapas seguidas na avaliação em Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, antes de qualquer indicação cirúrgica. Um estudo retrospectivo com 33 pacientes que seguiram esse protocolo — arthrocentese como primeira etapa e artroscopia reservada aos casos sem resposta — registrou taxa de sucesso de 94% pelos critérios da American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons (Efeoglu et al., Journal of Otolaryngology - Head & Neck Surgery, 2018).
Quais alterações da ATM a artroscopia trata?
A artroscopia é indicada principalmente para deslocamento do disco sem redução em estágio avançado (classificação Wilkes III), travamento persistente da mandíbula, aderências intra-articulares, sinovite e osteoartrose inicial que não respondeu a placa oclusal e arthrocentese, sempre confirmados por exame clínico e de imagem na avaliação especializada. Uma revisão sistemática com 1.515 articulações operadas por discopexia artroscópica encontrou o estágio Wilkes III como o diagnóstico mais frequente entre os pacientes operados (López et al., Journal of Cranio-Maxillo-Facial Surgery, 2024).
Durante o procedimento, além da lise e lavagem da articulação, o cirurgião pode reposicionar e fixar o disco articular (discopexia), remover aderências e tratar focos de inflamação sob visualização direta — algo que a arthrocentese, por ser às cegas, não permite.
Artroscopia é mais eficaz do que a arthrocentese?
A eficácia da artroscopia em relação à arthrocentese varia conforme o desfecho avaliado: os dois procedimentos reduzem a dor de forma parecida, mas a artroscopia tende a ampliar mais a abertura da boca em pacientes com travamento persistente da mandíbula. Uma revisão sistemática com meta-análise de 13 estudos controlados encontrou melhora semelhante da dor entre arthrocentese e artroscopia, mas identificou vantagem da lise e lavagem artroscópica sobre a arthrocentese na abertura máxima da boca em acompanhamento de médio prazo, com diferença média de 4,9 mm (IC 95% 2,7–7,1 mm) (Tang et al., International Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, 2024).
Em relação à segurança, uma meta-análise de estudos comparativos não encontrou diferença significativa no risco de complicações entre artroscopia e arthrocentese (risco relativo de 0,99). Quando ocorreram, as complicações — como paralisia facial temporária e edema cervical prolongado — foram transitórias na quase totalidade dos casos (Nogueira et al., British Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, 2021). Esse perfil de segurança é um dos critérios levados em conta na indicação cirúrgica durante a avaliação em Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Quando a cirurgia aberta (artrotomia) é necessária?
A cirurgia aberta de ATM (artrotomia), com discectomia ou outras técnicas, fica reservada a uma minoria de casos: alterações estruturais avançadas, tumores, anquilose, luxações recidivantes ou situações em que a artroscopia não permite acesso adequado à alteração. Uma revisão sistemática com meta-análise mostrou que a discectomia reduziu mais a dor e aumentou mais a abertura da boca do que artroscopia, eminectomia ou discoplastia, mas os próprios autores destacam que a evidência ainda é limitada e que procedimentos invasivos não devem ser a primeira opção de tratamento (Rodhen et al., Clinical Oral Investigations, 2022).
Por isso, a decisão entre artroscopia e cirurgia aberta é sempre individualizada, com base em exame clínico, exame de imagem (ressonância magnética ou tomografia) e resposta aos tratamentos conservadores já tentados. A avaliação em Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, segue esse protocolo escalonado antes de indicar qualquer procedimento cirúrgico.
Na experiência clínica do Dr. Guilherme Lima, a maioria dos pacientes com disfunção de ATM responde bem às etapas conservadoras, e a indicação cirúrgica — artroscopia ou cirurgia aberta — é sempre a última alternativa, reservada aos casos documentados por exame clínico e de imagem.
Agendar avaliação para dor ou disfunção de ATMComo é a recuperação da artroscopia de ATM?
A recuperação da artroscopia de ATM costuma levar de 1 a 2 semanas na fase inicial, com dieta pastosa, fisioterapia precoce da mandíbula e uso de anti-inflamatórios — bem mais rápida do que a recuperação de uma cirurgia aberta de ATM. O procedimento é feito sob anestesia geral, em regime ambulatorial ou com internação curta em hospitais parceiros no Rio de Janeiro, como Badim, Vitória, Israelita Albert Einstein ou Rios D'Or, por pequenas incisões (cerca de 2 a 3 mm) na frente da orelha.
O resultado depende da causa tratada, da técnica de fixação do disco (quando indicada) e da adesão à fisioterapia pós-operatória — o mesmo estudo que registrou 94% de sucesso no protocolo escalonado reforça que o acompanhamento pós-operatório é determinante para o resultado (Efeoglu et al., Journal of Otolaryngology - Head & Neck Surgery, 2018). Não há garantia de resultado permanente: um pequeno grupo de pacientes pode precisar de nova avaliação ou intervenção ao longo do tempo, por isso o acompanhamento clínico continua no consultório em Barra da Tijuca após a cirurgia.
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