Dr. Guilherme Lima — Cirurgião bucomaxilofacial, CRO-RJ 38327. Graduado pela FO-USP; Mestrado UERJ; Residência UFRJ; Especialista pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CBCTBMF).
Por que os sisos são removidos?
Os terceiros molares — os sisos — são os últimos dentes a erupcionar e frequentemente não encontram espaço suficiente na arcada. Quando ficam parcialmente cobertos por gengiva e osso, criam um ambiente de difícil higienização, favorecendo pericoronarite (inflamação recorrente ao redor do dente), cárie na face distal do segundo molar, reabsorção óssea localizada e, em alguns casos, cistos e lesões associadas ao folículo dentário.
A indicação cirúrgica é individual: nem todo siso precisa ser removido. A decisão considera a posição do dente, a angulação, o grau de erupção, a proximidade com estruturas nobres, o histórico de infecções e o planejamento ortodôntico ou ortognático do paciente. A avaliação clínica é sempre associada a exame de imagem.
Planejamento por imagem: panorâmica, anatomia e proximidade com o nervo
A radiografia panorâmica é o exame inicial padrão. Ela mostra a inclinação dos sisos, a relação das raízes com o canal mandibular (por onde passa o nervo alveolar inferior) e, na maxila, a proximidade com o seio maxilar. Comparar a imagem radiográfica com a anatomia real ajuda o paciente a entender por que alguns casos são simples e outros exigem técnica cirúrgica mais refinada.
Quando a panorâmica sugere contato entre as raízes e o canal mandibular, a tomografia computadorizada de feixe cônico complementa o estudo, definindo em três dimensões a posição exata do nervo. Esse cuidado é o que reduz o risco de alteração temporária de sensibilidade no lábio e no mento após a cirurgia.

Classificação da relação entre raízes e nervo alveolar inferior
Na literatura de cirurgia oral, os padrões de relação radiográfica entre as raízes do terceiro molar inferior e o canal mandibular são classificados em diferentes tipos — desde raízes claramente distantes do canal até situações de sobreposição, desvio do canal, estreitamento ou interrupção da cortical. Cada padrão orienta a técnica escolhida, a necessidade de tomografia e, em casos selecionados, a opção pela coronectomia (remoção da coroa preservando as raízes junto ao nervo).
Esse tipo de leitura é o que diferencia uma extração planejada de uma extração improvisada. O objetivo não é apenas remover o dente, mas remover com a menor agressão possível ao osso, à gengiva e às estruturas neurovasculares vizinhas.

O que é o PRF (fibrina rica em plaquetas)?
O PRF é um concentrado autólogo — obtido do sangue do próprio paciente — que reúne alta concentração de plaquetas e leucócitos dentro de uma matriz densa de fibrina. É produzido em consultório por centrifugação lenta do sangue coletado momentos antes do procedimento, sem adição de anticoagulantes ou substâncias sintéticas.
Após a centrifugação, o coágulo de PRF se forma na porção superior do tubo. Ele pode ser usado inteiro dentro do alvéolo, cortado em fragmentos e misturado a biomateriais de enxerto, ou comprimido para formar uma membrana. A matriz de fibrina e as plaquetas contribuem para a cicatrização, enquanto os leucócitos participam do controle bacteriano local (Agrawal AA. World Journal of Clinical Cases, 2023).
Uma característica central do PRF é a liberação lenta e sustentada de fatores de crescimento, como TGF-β1, PDGF e VEGF, associados à cicatrização e à reparação tecidual — diferente de preparações que liberam esses mediadores de forma imediata e breve.

PRF é membrana barreira? O que a revisão de 2023 esclarece
É comum ver o PRF descrito como "membrana barreira", termo usado em regeneração óssea e tecidual guiada para materiais que impedem a invasão de células que não participam da formação óssea, como as células epiteliais. A revisão de Agrawal (World Journal of Clinical Cases, 2023) argumenta que o PRF não preenche requisitos básicos de uma membrana barreira: falta oclusividade, rigidez e capacidade de manutenção de espaço.
Isso não diminui seu valor. A mesma revisão reconhece evidência de que membranas de PRF melhoram significativamente a cicatrização de feridas e a espessura de tecidos moles no sítio cirúrgico. Ou seja: o PRF atua como um biomaterial autólogo bioativo, não como uma barreira mecânica — e essa distinção importa para escolher corretamente o material em cada situação clínica.
Na prática da cirurgia oral, isso significa usar o PRF pelo que ele oferece — modulação biológica da cicatrização — e recorrer a membranas barreira propriamente ditas quando o objetivo é manter espaço para regeneração óssea guiada.
Como o PRF é usado após a remoção de sisos
Depois da extração, o alvéolo é limpo e irrigado. O coágulo de PRF pode então ser posicionado dentro do alvéolo, isolado ou associado a biomaterial, e a sutura é feita sobre ele. Em defeitos ósseos na face distal do segundo molar — situação frequente em sisos horizontalizados — o PRF pode compor a estratégia de preenchimento do defeito.
Os benefícios descritos na literatura envolvem principalmente conforto pós-operatório e qualidade da cicatrização de tecidos moles. A resposta, porém, varia entre pacientes e depende de fatores como tabagismo, controle glicêmico, higiene oral, complexidade da extração e presença de infecção prévia. Não há como prometer um resultado idêntico para todos.
Conheça o uso de i-PRF no tratamento da ATMPós-operatório: o que esperar
Nas primeiras 48 a 72 horas é esperado edema, desconforto e limitação de abertura de boca, controlados com a medicação prescrita, crioterapia e repouso relativo. A dieta é fria e macia nos primeiros dias, com retorno progressivo à alimentação habitual conforme a orientação individual.
A higiene é parte do resultado: escovação cuidadosa da região, uso das soluções orientadas e retorno para revisão e remoção de sutura. Sinais que exigem contato imediato incluem dor que aumenta a partir do terceiro dia, sangramento persistente, febre e dificuldade progressiva para abrir a boca.
Onde é feita a cirurgia
As extrações de sisos são realizadas no consultório na Av. das Américas, 2901 — Sala 504, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, sob anestesia local, ou em ambiente hospitalar com sedação venosa em casos mais complexos, de múltiplos elementos, ou conforme condição clínica e preferência do paciente.
A avaliação inicial inclui exame clínico, leitura do exame de imagem já existente ou solicitação de novos exames, e discussão do plano cirúrgico — incluindo se o uso de PRF faz sentido no seu caso.
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